Dependência tecnológica – parte 1
Sexta-feira, 09 de novembro de 2007. Por volta das 17h fortes chuvas atingiram a região de Telêmaco Borba. Sexta-feira é o meu dia de folga, então, eu estava em casa. Pouco depois do início das chuvas houve uma queda de energia elétrica. Isso não nos preocupou tanto, pois é comum os apagões quando há chuvas fortes, porém em menos de duas horas a Copel consegue colocar tudo em ordem.
Às 21h já começavamos a ficar preocupados, sem banho quente, sem luz, sem tv, sem computador. O celular não tinha sinal. À luz de velas tentei sintonizar a rádio local no celular, sem sucesso, estava fora do ar. O que significava que o centro da cidade também estava sem energia elétrica. Sem notícias, à luz de velas. Pelo menos tínhamos gás para preparar comida e o consolo era que iríamos ter um jantar romântico, à luz de velas.
Meia-noite e já tínhamos perdido a esperança do restabelecimento da energia naquele dia, tomamos banho com água aquecida no fogão.
Sábado é o dia que trabalho de manhã e a tarde (de segunda a quinta meu horário é a tarde e a noite). Acordei, liguei o interruptor, 7h da manhã, sem energia. Ao tentar contato com uns amigos fiquei sabendo que o problema era grave (parece que tinha caído uma torre de transmissão em Ortigueira) e a Copel estava trabalhando no caso. A preocupação começava a aumentar, pois a torneira dava sinais de negar água. Os reservatórios não conseguem manter o abastecimento de água, sem energia elétrica, por muito tempo. Não fui ao trabalho, não havia nada a fazer (sou instrutor de informática e sem energia elétrica…).
A energia só foi reestabelecida por volta do meio-dia de sábado. Foram as 18 horas mais preocupantes para a região. Não é preciso falar dos prejuizos com perda de alimentos perecíveis e outros danos consequentes do apagão. 18 horas em que pudemos perceber que temos algo que se tornou indispensável na nossa vida urbana.
Este é o primeiro post de uma série que pretendo escrever sobre a nossa “Dependência tecnológica”. A tecnologia trouxe conforto, tornou possível muitas coisas que, antes, era sonho. Porém, toda essa evolução tecnológica tornou-nos dependentes e vulneraveis. A tecnologia pode falhar, de um momento para outro, nem tudo o homem pode controlar ou resolver e, enquanto isso, catástrofes podem acontecer.
Acompanhe a segunda parte em breve.
Disseram…